Sobre as mulheres

Esses dias eu tenho ouvido coisas muito engraçadas e por vezes desconcertantes a meu respeito. Dia desses ouvi que eu deveria ser sexóloga, conselheira (muitos risos). Antes de ontem eu ouvi de uma mulher assim: “se eu fosse homem eu me casaria com você” (o dobro de risos agora). Ai um cidadão que já me conhecia há algum tempo, tendo descoberto que hoje sou divorciada, na clara intensão de me passar uma cantada, diz que eu sou uma mulher mais interessante do que a média geral porque tenho um grau maior de testosterona correndo nas minhas veias (achei essa parte bizarra rssss) e que por isso eu era uma mulher mais bem resolvida e sem muitos "mimimis".

Pois é: em primeiro lugar quero deixar claro aqui que eu não sou uma mulher perfeita.  Choro à toa, tenho TPM, me atrapalho toda fazendo coisas de meninos (e acho um saco mesmo ter que fazê-las). Mas, quem me conhece de perto sabe o caminho que se estendeu diante de mim há uns 3 anos. Tenho passado por coisas que jamais pensei que eu passaria e tenho aprendido que sofrimento não serve para ser lamuriado por muito tempo, mas sim, deve ser encarado como algo que te torna mais forte. Há uns 3 anos eu era uma mulher razoavelmente mal resolvida e que tinha muito pouca consciência da sua força. Hoje, sou uma pessoa que escolhe o bom humor e a ironia para levar os percalços da vida.

Pois é, descobri que sou uma mulher que gosta mesmo de ser mulher: Mesmo com todos os hormônios que imperam sobre o meu humor, digo e repito que em minha próxima vida eu quero nascer mulher outra vez. Agora, rapazes, o caminho é longo e tortuoso... Para conseguir que a menina consiga entender claramente o que vem a ser uma mulher um pouco mais bem resolvida, concorre um pouco de tempo e paciência. É que existem serenidades e capacidades de se olhar criticamente que só vem mesmo com o tempo (ou com as porradas da vida).

Mulher às vezes é um bicho chato. Há momentos em que vejo “mulherzices” por ai que me matam de vergonha como representante do gênero. Ai olho pra cara do pobre coitado do namorado ali ao lado daquela criatura e penso: “meu Deus... onde foi que esse cidadão amarrou a égua dele!”. Mulher é um bicho que pode ser cheio de “mimimi”: “ai amor, eu tô bonita hoje?” Ai amor... Será que essa roupa está me deixando gorda? Ai amiga... Será que ele vai me ligar hoje? Ai amiga... Será que ele me achou fácil demais porque liberei tudo no primeiro encontro? E por ai vai... Tem mulher que realmente impera no “mimimi”. Reparem rapazes, que quanto maior o grau do “mimimi”, maior a insegurança da criatura. É que mulher é bicho inseguro por natureza.

Pois é, insegurança é uma palavra chave para quem quer entender o universo feminino. Pobre coitado do homem que achar que a mulher perfeita virá sem essa pegadinha. E cá entre nós: perfeição, perfeição não vai existir nunca. Mesmo aquela mulher independente no trabalho, dona do próprio nariz, que tem um total e completo desprendimento e te enlouquece na cama sem preconceitos ou frescuras, demonstrando efetivamente gostar do riscado e mais, demonstrando não estar nem ai se você vai ou não ligar pra ela no dia seguinte, mesmo ela está sujeita à insegurança. Tudo depende de onde é que está o calo dela para doer.

Querem um exemplo, meninos? Tem mulher que acha que para ganhar o coração de vocês ela precisa incorporar aquela fantasia meio pornô barata da boazuda que está com vontade de transar o tempo todo, que adora fazer coisas na cama que muitas mulheres acham nojentas e que efetivamente curtem liberar orifícios proibidos. Calma! Não quero acabar com a festa de vocês. Existem mulheres que efetivamente gostam disso tudo, e que bom para vocês se uma delas cair em seus braços! Agora, no geral, vocês sabem qual é o nome desse excesso de sexappeal? Insegurança. Pois é, rapazes, isso ocorre com mais frequência do que vocês imaginam nessas baladas de pegação que vocês frequentam. Eu só acho que por uma questão de decência vocês deveriam se certificar se esse sexappeal todo não é mera faixada. Essas mocinhas não estão curtindo em nada a transa com vocês, saem dali frustradas achando que não são capazes ou merecedoras de um orgasmo e fingem loucamente, igual às raparigas dos filmes que vocês adoram assistir. Morro de dó delas. Acho que elas merecem um abraço e alguém deveria lhes dizer que a partir do momento que nos tornamos egoístas na cama e passamos a fazer somente aquilo que nos dá prazer, os mocinhos ficam doidos vendo o nosso rosto de deleite. É claro que ceder um pouco é bom, ter a mente aberta para novidades também é legal. Mas essas meninas precisam parar com essa bobagem de querer agradar o tempo todo.

Querem ver outro exemplo clássico da mulher insegura? O estereótipo da mocinha pra casar. Putzz. Essa merece até um texto só pra ela. Essa mulher é complicada demais! Em primeiro lugar ela acha que é mais especial do que as outras. Ela finge adorar fazer um monte de coisas que as mulheres lá no fundo de seus íntimos odeiam (serviços domésticos, por exemplo). Elas dizem que aprenderam com vovó e mamãe que uma mulher deve ser uma lady em sociedade e uma puta na cama. Ela diz que ama crianças. Faz o gênero de adorar cozinhar. Tem formação acadêmica e eventualmente até trabalha, mas está disposta a sacrificar a sua carreira em prol da família.

Ok, ok, tudo super lindo. Eu já fui assim um dia, juro! Eu era esse tipo de complicação ai. Queria ser a cozinheira perfeita. Queria que minha casa fosse perfeita. Queria andar vestida como mulherzinha... Enfim... Joguei uma pá de cal sobre mim mesma. Vocês já repararam que tem mulher que serve um jantar e fica lá olhando a cara de todo mundo esperando a aceitação? Pois é, isso é insegurança. Ai a mocinha acaba de transar loucamente com você e fica olhando pra sua cara esperando que você diga que ela é um furacão e que ninguém de fora nunca diria que ela é isso tudo entre quatro paredes. Pois é... Insegurança outra vez. É que ela quer saber se a “Amélia” está sendo bem interpretada. Uma bobagem. Mocinhas nesse grau de insegurança precisam de terapia. De verdade! Isso porque elas precisam se encontrar para então conseguir se definir como aquilo que elas realmente são.

É moçada, vocês estavam achando que a coisa é fácil? A rapadura é doce, mas não é mole não! Mulher é um bicho encanado demais em bobagem. Geralmente são coisas pequenas, quase insignificantes, coisas assim que vocês, meninos, nem percebem de lupa, que fazem com que a semana delas se torne uma tempestade. Parece coisa de louco, né? E de fato é, meus caros (muitos risos). Só que a verdade é que no fundo, no fundo, tudo tem solução (acharam que eu deixaria vocês aqui desesperançados? Rsss). Cada vez mais tenho visto uma movimentação feminina se afastando do feminismo propriamente dito e indo de encontro ao autoconhecimento. Isso é muito legal e abre uma super luz no fim do túnel para vocês.

A mulher estilo “Amélia” se desagrada e defende (mesmo sem perceber) um estilo machista de ver o mundo. A mulher super ultra Sexappeal fica ai pelos quatro cantos tentando mostrar a sua liberdade (ou libertinagem?) em nome de uma liberdade feminista idiota. Pois é: juro pra vocês que tem um meio termo nascendo. É que tem muitas Amélias desiludidas por ai, assim como tem muitas garotas Sexappeal desiludidas também. Elas estão todas buscando algo que as complete. Buscando a sua independência. E não entendam aqui a independência financeira ou algo assim. A independência que elas estão buscando é a delas mesmas. Elas querem se libertar desses estereótipos idiotas. Elas querem se redescobrir, entender o que realmente as agrada. Ditar as regras de suas vidas de acordo com a música que elas realmente gostam de dançar.

Pois então, rapazes, esse ressurgimento, essas mocinhas pós-desilusão, são elas que estão se despindo de seus próprios preconceitos e estão dando a cara a tapa. Estão aprendendo a se amar. Estão aprendendo que elas são importantes antes de qualquer outra coisa. E é ai que vocês, caras bem resolvidos (ao menos espero, né?) tem a melhor chance de se dar bem e encontrar uma mocinha um pouco menos complicada, com um pouco menos de "mulherzices", com um pouco mais de amor pra dar e um coração super aberto para receber tudo de bom que vocês quiserem oferecer.


Olho no foco rapaziada! 

E até a próxima!

Comentários

Postagens mais visitadas