Sobre a Contemplação

Contemplação: substantivo feminino derivado do latim contemplatio, contemplationis. Ato de concentrar longamente a vista, a atenção em algo; Profunda aplicação da mente em abstrações; meditação, reflexão; Concentração do espírito nas coisas divinas; Consideração, benevolência.(Dicionário Houaiss online)


Os primeiros segundos de 2013 chegaram para mim com lágrimas. Lá pra meia noite, deitada na minha cama, o coração apertou e chorei. Levantei-me, fui até a geladeira buscar a espumante, acordei o Cesar e brindamos. Nada de especial. Nenhum fogo de artifício para nós: somente a esperança de um ano mais leve, menos triste, com mais amor e principalmente perdão.

O ano de 2013 chegou para mim também cheio de angustias e incertezas. Algumas boas, outras me desafiando a ultrapassar meus limites e acreditar no inacreditável. Estou tensa. Minha face o denuncia, meu comportamento impaciente também. É que não estou me vendo assim com tanto tempo para pensar ou agir naquilo que me parece frívolo, pequeno, sem objetividade. Tenho problemas de verdade para resolver.

Pois é, ontem depois de um dia particularmente tenso resolvi sair do trabalho e ir à Igreja. Não, não pensem que o dia foi tenso porque eu tenha feito muitas coisas. Não, ele foi enervante porque eu tenho muitas coisas para fazer e a letargia desta época de início de ano não permitiu que muitas fossem feitas. Pois bem, cheguei à igreja. É que nas horas que temos que acreditar no inacreditável, nos apegarmos a Deus é a melhor opção. Traz paz no coração e renova a esperança de dias melhores.

E foi com este espírito de busca de tranquilidade, paciência e fé que entrei na igreja Nossa Senhora Rainha, no Belvedere. Sentei-me em um dos bancos próximos à porta lateral por onde entrei. Fechei meus olhos e busquei a concentração do meu espírito para fazer a oração que eu tanto precisava naquele momento. Não, não consegui. A igreja estava vazia. A exceção eram somente três funcionários da limpeza que estavam ali jogando conversa fora até baterem 18h para irem embora.

Igreja é lugar de silêncio, de paz. Quando pequena me ensinaram que quando temos que falar algo dentro de uma igreja, devemos fazê-lo em voz baixa porque aqueles que estão ali buscam momentos de paz interior e estão, ora bolas, conversando com Deus! É preciso um momento de introspecção, de meditação, de contemplação, para minimamente nos aproximarmos do divino! Pois é, aproximação do divino. Estava complicado ontem. Não penso que aquelas três pessoas o tenham feito por mal. Não, não mesmo. No entanto devo dizer que aquele blá, blá, blá sobre o trabalho, sobre o calor, sobre a família, enfim, sobre tudo o mais um pouco, criou uma interferência no meu contato direto com Deus.

Eu tentei. Pedi a Deus que me desse paciência, que me fizesse surda àquelas conversas. Então pensei: melhor sair de perto e ir lá pra frente. Mas vejam: igreja é lugar abençoado até na acústica. Aquele lugar foi feito para que uma pessoa fale (no caso o padre) e todo mundo a escute. Nem lá, sentadinha na turma do gargarejo consegui me desligar 100% deste mundo aqui.

Impotente, pedi perdão a Deus por praguejar internamente contra aquelas pessoas. Fiz minha oração como pude. Chorei pela impotência (em relação à conversa paralela na igreja ou à minha vida? Não sei). Entrei no carro e segui para casa.

Não pensem que eu tenha ficado com raiva daquelas pessoas. Não, de forma alguma. Além do mais, apesar de conturbada, a prece deve ter servido. Voltando para casa eu rememorei todo o acontecido na igreja e sorri. Na verdade sorri pela ironia dos tempos modernos de pouca e ao mesmo tempo excessiva reverência ao sagrado. Sorri ao constatar a incapacidade das pessoas no mundo moderno de se entregarem a alguns minutos de contemplação. Sorri pela dificuldade das pessoas no mundo moderno respeitarem um lugar de contemplação. Onde foi que começamos a nos perder?

Até a próxima!

Comentários

Postagens mais visitadas