O Meu Trajeto

O meu pôr-do-sol desajeitado

Tenho vivido coisas muito intensas na minha vida e ando precisando encontrar dentro de mim forças para superar o que parece insuperável. Ontem eu estava voltando da minha sessão de terapia, lá na região dos hospitais, na Domingos Vieira. Já eram quase 17h, o trânsito estava um caos e eu já estava à beira do desespero. Foi então que minhas lembranças me levaram até minha adolescência.

Quando eu tinha 16 anos, lembro-me que escrevi um texto no colégio chamado “O trajeto”. O texto era um conto, e eu me colocava como narradora na pele de um homem de quarenta anos que estava voltando pra casa, perdido em seus pensamentos, preso no trânsito e repensando a vida. Meu personagem, que nem nome tinha nesta primeira versão da história, teve um momento de epifania observando o mundo à sua volta e literalmente sentindo cada barulho e vendo cada cor do que estava acontecendo ao seu redor.

Ontem, eu me senti dentro do meu próprio conto. Eu estava fazendo o meu trajeto. O caminho eu o sigo automaticamente. Já o conheço. Eu saí da terapia pensando muito, muito mesmo na minha vida e no que quero para mim no futuro. Então parei num sinal e me perdi em meus pensamentos. Olhei ao meu redor: tinha um monte de carros ali. Quando me dei por mim, eu já estava saindo da Nossa Senhora do Carmo e indo para a Raja Gabaglia. Foi então que respirei.

O sol estava se pondo. Ali na descida, ele bateu bem nos meus olhos, me causando uma cegueira momentânea. Então suspirei e pensei: meus Deus! Minha vida está tão complicada, minha cabeça tão perdida, e isso aqui acontece todos os dias! Peguei o meu celular, e parada no engarrafamento, tentei de forma meio desajeitada registrar aquele pôr-do-sol maravilhoso que estava acontecendo ali. Eu estava presa num engarrafamento, com a cabeça cheia de loucuras, chorando de dor na alma, mas naquele momento senti-me aliviada porque por maiores que sejam as minhas tristezas, eu fui capaz de olhar para aquele pôr-do-sol e agradecer a Deus por estar viva e poder admirá-lo, enquanto muitos ali, engarrafados como eu, nem se davam conta de que ele estava lá.

Quando bati aquela foto, me peguei falando alto comigo mesma: Meu Deus! Não posso perder isso aqui por nada neste mundo! Chorei, mas pensei: ainda há esperança!

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