Sobre filhos e outras coisas...

Quem convive comigo no dia-a-dia sabe da minha vontade louca de ser mãe. Fiz trinta anos ano passado, e decidi que tenho até os meus trinta e cinco para produzir toda a prole que desejo colocar neste mundo. Muitas pessoas me perguntam se não tenho medo, pois a maternidade envolve muitos desafios. Particularmente acho que um certo medo do desconhecido sempre existe, mas nada que me faça paralisar. Pelo contrário, tenho cuidado de mim justamente para atravessar o desconhecido de coração aberto e ansiedade boa.
Não sei se serei uma boa mãe. Na verdade isso é algo que não me preocupa demasiadamente, mas, preciso dizer que sou honesta comigo, e que, portanto, não espero que eu seja uma mãe perfeita. Tenho muitos defeitos para levantar a cabeça e gritar por ai que serei a melhor mãe do mundo. No entanto sei também de minhas qualidades, que farão, sim, com que eu grite por ai que serei a melhor mãe que meu filho ou filha poderá ter. É tudo uma questão de a gente ser honesto com a gente. Nada de excesso de expectativa, mas também nada de faltar com ela. Expectativa é coisa boa quando bem dosada.
O que me preocupa em mim com o fato de eu querer ser mãe é que sou um tipo de pessoa extremamente protetor. Cuidar é parte da minha natureza de mulher, e a criação matriarcal que recebi acaba exacerbando ainda mais essa minha característica. Venho de uma família de mulheres fortes, guerreiras e destemidas. Proteger e cuidar faz parte da nossa essência. Sei que preciso me policiar para não cuidar e proteger em demasia.
O que me diz que serei uma boa mãe é a minha determinação em seguir os princípios éticos e morais que regem a minha vida. Quem me conhece, sabe que estou longe de ser uma pessoa religiosa por excelência. Na verdade não frequento igrejas. Meu contato com Deus é direto e não tenho o costume de pedir ajuda a intermediários para as conversas diárias que tenho com ele. Nada contra quem o faz, mas também nada a favor. É só uma questão de preferencias. Sendo assim, os princípios morais que regem a minha vida, não estão presos a nenhum tipo de dogma ou doutrina.
Pauto a minha vida em comportamentos que considero coerentes. O certo e o errado, a exceção de graves situações que desestabilizam a ordem publica, são sempre muito relativos. Existe uma regra de ouro que levo em alta conta que é: nunca faço com alguém o que eu não gostaria que fizessem comigo. Sendo realista, isso é muito complicado de se seguir à risca. É que às vezes, mesmo quando estamos com o coração cheio de boas intenções, o tiro sai pela culatra e acabamos por fazer mal às pessoas que amamos... Nessas horas é importante termos a capacidade de nos perdoar. Então é assim: mesmo não dando certo sempre, essa é uma regra muito boa de se ter como norte na vida. Se não gosto que me batam, não vou bater. Se não gosto que as pessoas sejam desagradáveis e mal educadas comigo, não sou desagradável e nem mal educada com as pessoas. É claro, óbvio, que ás vezes surgem pessoas na nossa vida que parecem ter sido colocadas ali para testar a elasticidade dos nossos limites em seguir aquilo que acreditamos. É claro... às vezes perdemos a cabeça. Eu já perdi a cabeça varias vezes, mas não me arrependo. Quando volto atrás no pensamento, e me lembro das circunstancias que me levaram a esse ou àquele comportamento, sempre tenho a certeza de que se me fosse dado o direito de voltar atrás, eu provavelmente não teria me comportado de forma diferente. É que somos humanos, ne!? Fazer o que?
Adoro crianças, e teve uma época da minha vida que trabalhei diariamente com elas. Lembro-me como se fosse hoje dos pequenos demônios que já tive em sala de aula. Crianças absolutamente sem limites, que deveriam passar as horas na escola pensando em qual seria a próxima traquinagem para me fazerem perder a cabeça. Vejam bem: trabalhei cinco anos ininterruptos com crianças e posso lhes dizer que durante todo esse tempo eu nunca perdi a cabeça em sala de aula. Sim, já tive vontade de dar umas palmadas em alguns, já quis também falar poucas e boas para os pais, já gritei muitas vezes em sala... mas perder a cabeça com criança? Nunca!
Tenho uma cachorra de quatro anos que vive aqui dentro de casa seguindo muito bem as regras que lhe são impostas. Xixi e coco? Só na rua ou no jornalzinho dela que fica na área de serviço. Ela faz fora do lugar? Não. Latir? Só um pouquinho para avisar quem chegou. Basta dizer não que ela compreende e vai cuidar da vidinha dela. Se ela faz algo errado, basta dizer “caminha!” que ela vai para a cama dela e só sai de lá quando a chamamos outra vez. Tudo isso foi comportamento aprendido através de condicionamento e reforço positivo. Pois bem... Se cachorro consegue, por que criança não?
Bom... Criança testa mais os nossos limites do que cachorro, isso com certeza. Depois de um tempo, digamos assim, de testes, meus alunos seguiam as regras das aulas, principalmente os pequenos. Os únicos casos sem solução eram as turmas muito grandes em que eu dei aula certa vez em uma escola. Sem o apoio dos pais e da direção da escola ficava difícil manter a disciplina. Mas fora esses, meus pequenos sempre me respeitaram e adoravam. Aprendi nesses anos de sala de aula que a criança testa a gente porque no fundo o que ela quer de verdade é o limite.
Realmente acho exagerado dizer que serei a melhor mãe do mundo. Quero, no entanto, ser a melhor mãe que meus filhos poderão ter, disso eu faço questão. Não gosto de pegar uma tarefa e realiza-la mais ou menos. Ter filhos será, sem sombra de dúvidas, a maior tarefa da minha vida. Em sendo assim, requer um certo esmero, não é verdade? Depois de ter os meus filhos e chegar ao final da minha vida, quero poder olhar para trás e dizer que criei pessoas de bom coração, honestas, coerentes, tratáveis, inteligentes, cultas, bem sucedidas e realizadas. Sim, realizadas, assim como provavelmente eu estarei me sentindo o dia em que ouvir os meus filhos chorarem pela primeira vez.

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