Uma nova pessoa a cada dia...

Ontem caiu uma chuva terrível aqui em Belo Horizonte, destas de dar medo mesmo. Eu estava na Casa do Vinho comprando presentes de natal para os clientes da minha empresa, quando vi o final do mundo se aproximando. Então papai ligou: “minha filha, onde você está?” Papai e eu quase não nos falamos durante a semana por conta da correria, mas, muito porque sabemos que tanto um quanto o outro correm de um lado para o outro o tempo todo, sempre que o tempo fecha, ou que estamos em algum engarrafamento, a gente se telefona para avisar um ao outro da situação de caos. Não seria diferente ali. “Na Avenida Bandeirantes, pai” eu respondi. “Minha filha, tome cuidado, eu acabei de chegar em casa, e o mundo está desabando! O Cesar está com você?”, ele diz. “Sim, pai. Fique tranquilo”.

Sim... Papai estava preocupado. E não era pra menos. Há um ano e meio, se eu estivesse ao volante, em uma chuva como aquela, bom... eu não estaria mais ao volante. Há um ano e meio eu mal dirigia sozinha, quem dirá dirigir em uma tormenta como aquela de ontem. Segui boa parte da Avenida Bandeirantes sem conseguir enxergar um palmo à frente do nariz, com o farol ligado, tentando seguir o farol do carro à frente. Peguei a rua Patagônia morrendo de medo de na hora do arranque a roda derrapar naquele monte de água que descia por ali... Uma coisa terrível! Pois é... Há um ano e meio a síndrome do pânico não me deixaria enfrentar esse tipo de situação.

A síndrome do pânico também não deixaria que eu enfrentasse as intermináveis viagens de Cesar este ano. Só agora no ultimo mês está sendo praticamente uma por semana. Impressionante, não é mesmo: como as coisas mudam! (e nesse caso, graças a Deus que mudaram!)

Zona do meu quartinho!
Esse final de ano eu decidi que quero minha casa arrumada. Quero dizer: não quero mais guardar defuntos aqui dentro. O inicio de tudo foi o quartinho de despejo. Quilos de papeis saíram de lá e foram deliberadamente jogador na lata de lixo. Acho que joguei fora quase dez sacos de lixo de 100 litros lotados de defuntos do passado, fora aquele monte de caixa vazia! Nossa: um alívio! Eu realmente não precisava de nada daquilo mais na minha vida.

Comprei tinta branca, pincéis, rolos de pintura e tiner. É que os armários da minha cozinha são muito velhos e há muito precisam ser substituídos. Na falta de vontade de gastar os tubos em um novo projeto de cozinha, decidi renovar os armários que já tenho. O resultado está ficando maravilhoso!

Minhas meninas!
Outra coisa que comprei foi terra! É que há muito minhas plantinhas estavam precisando de cuidados. Enquanto eu viajava, entre setembro e outubro, mamãe vinha aqui em casa para ver como estavam as coisas. Não sei se foi a sua presença, ou o que, mas uma orquídea minha, que eu achava que estava condenada à lata de lixo, começou a renascer. Achei aquilo o máximo! Ela estava renascendo, assim como eu.

Fui à floricultura, comprei a terra e uma mudinha de espada de São Jorge (que veio ainda com um beijinho plantado junto!). Cheguei em casa e fui mexer com a terra. Refiz o vaso da entrada de casa: plantei uma espada de São Jorge nova. Replantei a cebolinha, o manjericão, o orégano, o lírio, a hortelã... foi libertador! A casa ganhou vida outra vez! Impressionante! A arruda não resistiu. Mas em seu vasinho nasceram uns trevos... eles gostaram de lá, então resolvi deixar. Estão muito bonitinhos. Plantei também uma sementeira de alface na minha varanda. Está começando a brotar... a coisa mais linda do mundo.

Comprei um armário para arrumar o escritório. É que com essa coisa de a gente ter aberto uma empresa, temos sempre muito papel por ai e eu não quero mais entrar no escritório e dar de cara com mil coisas empilhadas nos cantos. Tem que ter lugar pra guardar tudo! Cesar estava viajando. Comprei o armário no feriado agora do dia 8. Subi as escadas sozinha com ele, depois de desmembrá-lo em várias partes. Só não consegui montá-lo porque o excesso de estrogênio não deixou que eu reconhecesse os parafusos. Eu olhava para o desenho do manual de instruções, olhava para os parafusos, e não conseguia entender por onde começar... Pois é... nunca somos assim tão independentes quanto nos julgamos ser, e nada como um par de braços masculinos no final para salvar o dia!

É assim... mudanças pra dentro, mudanças pra fora. Teve uma época da minha vida que eu custava até mesmo a entender quem eu era. Hoje, estou aqui com uma caneta forte e segura, traçando aquilo que sou hoje, não obstante todos os vendavais anteriores que por vezes apagaram os traços dos caminhos da minha vida. Hoje estou forte, não vou deixar isso acontecer mais. Eu tenho pulmão para soprar o vendaval para longe. Antes eu não tinha.

Hoje eu tenho esperanças no futuro e quando olho aqui na varanda, para a minha sementeira de alface, vejo que tudo vale a pena. É de uma sementinha bem pequena que as mudanças grandes surgem. Como foi ali. Sementinhas bem pequenas geraram pequenas plantinhas. Que depois de serem replantadas em suas casas definitivas e aguadas diariamente, vão se tornar plantas enormes.

Espero que o próximo ano me ajude a consolidar essas mudanças, e me ajudem a traçar ainda mais forte os caminhos da minha vida com clareza e determinação. Não quero mais sentimentos confusos, quero paz e alegria, hoje e pelo resto da minha vida.

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