2.9 rumo aos 30!

Já têm exatos dez dias que estou para publicar este texto. O problema é o seguinte: eu não sabia como abordá-lo. Há dez dias completei 29 anos. Pode parecer uma conclusão meio óbvia o que vou dizer agora, mas 29 são quase 30! Senti-me intimidada. A intimidação acontece porque aparentemente os 2.9 anunciam definitivamente o fim da juventude e nos coloca no hall do início da vida verdadeiramente adulta. Quem ainda não é casado, quer se casar. As mocinhas que ainda não têm filhos começam a ouvir gritos vindos de seus relógios biológicos dizendo a elas o quanto os bebês são lindos; quem ainda não foi promovido no trabalho desde que saiu da faculdade, fica se perguntando quando é que a tão sonhada promoção vai acontecer, e assim por diante. O tempo vai passando e a gente vai se perguntando quando as mudanças grandes realmente vão acontecer, e o tal do reloginho fica lá na nossa cabeça: tic, tac, tic, tac...
No dia em que comemorei o meu aniversário com amigos eu estava sozinha no bar. Tinha chegado mais cedo, e enquanto esperava a galera desbravar o trânsito de BH, me perdi em pensamentos e comecei a esboçar algumas idéias que agora me parecem bizarras sobre aniversários. Chegar aos quase 30 me deu uma sensação assim de... como posso dizer... o tempo está correndo mais rápido do que deveria. Foi então que as bizarrices começaram: Vocês já pararam para pensar que a cada dia que passa inevitavelmente nos aproximamos do fim? Que treva pensar nisso né? Pior do que isso é pensar em termos de expectativa de vida, quantos anos ainda hão de nos restar considerando as porcarias que comemos, a merda do ar que respiramos e coisas assim. Nossa! Acho que eu estava muito pouco romântica nesse dia!
Vocês que estão me lendo vão dizer que eu devo encarar as coisas por outro lado: quanto mais velhos ficamos, mais experiências adquirimos, aprendemos a lidar com a vida de forma mais suave, e coisas que seriam problemas no passado hoje não passam de boas gargalhadas... é... pensando assim, apesar de estarmos cada vez mais próximos do fim, devemos também a cada dia estar mais próximos da felicidade, quem sabe?
A aproximação dos 30 me fez parar para pensar que os meus áureos 20 anos estão terminando, e o que eu devo fazer a respeito disto? Quais são as coisas que obrigatoriamente devemos fazer antes dos 30 para não ficarmos parecendo balzacas malucas da cabeça? Pois é... me peguei assim, pensando em tudo aquilo que eu ainda preciso fazer antes de fazer meus 30 anos.... Eu sei que falei lá no início do texto que a chegada dos 30 no enche de responsabilidades, mas será? Será de verdade? Será que os 30 não são os 20 do século XXI? Será que realmente tenho tanta pressa?
Fico aqui pensando com meus botões no termo Balzaquiana. Honoré Balzac quando escreveu o seu célebre “Mulhere de 30” vivia, obviamente, em outros tempos, mais especificamente no século XIX. Uma mulher de 30 no século XIX já havia atingido a sua maturidade, considerando o quanto os casamentos aconteciam cedo e também levando em conta que a maternidade chegava para muitas dessas mulheres antes mesmo que completassem seus 20 anos. De lá pra cá as coisas mudaram. Segundo Balzac, em seu livro, as mulheres de 30 estão amadurecidas e podem viver o amor com maior plenitude. No livro, a heroína da história quando chega aos 30 decide chutar o balde de um casamento infeliz e encontra a felicidade nos braços de outro homem.... Estou casada há 5 anos, e confesso: não preciso chegar a tanto. O que me pergunto é: quanto tempo será que eu precisaria de casamento, para que algum dia eu viesse a me sentir infeliz a ponto de chutar o balde?
O romance de Balzac não me descreve, nem hoje, aos 29 e nem no ano que vem, aos 30! Nós, balzaquianas, (no meu caso futura balzaquiana, vamos combinar! Ainda falta 1 ano) estamos, na verdade chegando sim, em nossa plenitude, plenitude de vida: somos jovens o suficiente para curtirmos muito a vida, e maduras o suficiente para sentir a curtição de forma mais profunda.
No dia do meu aniversário, todo mundo estava me dizendo que os seus 30 anos foram os mais felizes de sua vida, que o problema começa a agravar quando se chega aos “enta”. Acho até que tem um fundo de verdade nisso. Até os nossos vinte e tantos anos estamos na fase das experiências, assim como adolescentes. Talvez um pouco menos irresponsáveis, mas ainda assim experimentamos. Hoje me pego percebendo exatamente o que eu quero. Sei explicar corretamente as coisas do jeito que gosto, consigo descrever com consistência o tipo de homem que me agrada, o tipo de atitudes que me fazem sentir desejo, amor, raiva, repulsa, e assim por diante. Aos 20, como estamos experimentando, essa consistência às vezes falha e nos expõe ao mundo de forma quase irresponsável a tudo o que está à nossa disposição para experimentarmos.
Talvez ser uma mulher de 30 nem seja tão ruim assim de fato, pelo contrário, agora, parando para pensar estimo que esses podem realmente serem os melhores anos da minha vida. No entanto, apesar de pensar que balzacas não são velhas para continuarem a viver sua vida intensamente, acho que ainda tenho uma responsabilidade com o final dos meus 20 anos. Um “cadinho” de irresponsabilidade, irreverência e loucura talvez sejam necessários para fechar com chave de ouro esses que até agora foram os melhores anos vividos de minha vida. Mas ainda me pergunto... o que ainda falta fazer? Alguém ai tem alguma sugestão?
Até a próxima pessoal!

Comentários

Mary Joe disse…
Nicole, me identifiquei muito com o seu texto, pois tive o mesmo tipo de sentimento quando completei 29anos. Interessante querida, foi como a coisa fluiu para mim a partir daí. Foi como se para mim a vida começasse aos 30... e mais: cheguei aos 40, e até agora, naõ tenho queixa alguma deles. Só me sinto mais segura da pessoa que sou, e sim, mais feliz.
Fique tranquila, pois vc pode ser vc mesma em qualquer idade, e certamente será. Ainda mais a Nicole sendo quem é. Inteligente, divertida, enfim, uma pessoa legal.
Beijokas
Maria José

Postagens mais visitadas