Medos

Nossa! Faz tempo que não me dedico a escrever por aqui. Acho que é porque eu ando numa fase de transição muito profunda e isso está me deixando mais confusa do que o normal diante da ameaçadora folha de papel em branco.
Essa fase de transição está intimamente ligada ao processo de exorcismo dos meus medos, que começou no final de 2007 com a descoberta da síndrome do pânico, que me aterrorizava há anos sem que eu soubesse o nome do fantasma. Hoje, devidamente medicada e devidamente assistida por dois profissionais da área de saúde exemplares e maravilhosos, além de contar com todo o apoio da minha família, do meu marido e até da minha cachorrinha, sinto que estou finalmente dando passos rumo ao exorcismo efetivo das coisas que me aterrorizam. Continuo a temer, mas talvez hoje a maior parte dos medos me venha de forma um pouco menos irracional – se é que isso é verdadeiramente possível.
Fiquei sem escrever da mesma forma que fiquei sem ler e sem conseguir estudar. O trabalho mental que tenho sido obrigada a fazer comigo nesses últimos três, quatro meses tem sido doloroso e ao mesmo tempo libertador. O efeito colateral desse trabalho mental chama-se déficit de atenção. Pra vocês terem uma idéia, está sendo excruciante para mim assistir filmes! E olha que quem me conhece sabe: amo cinema... Estou com uma pilha interminável de livros para ler, mas não consigo passar da primeira página. Logo minha cabeça voa e perco completamente o fio da meada... Estou mais inquieta, mais ansiosa, ganhei uns quilinhos... estou com muito sono e às vezes tenho insônias...
Mas... percebo que embora todos os efeitos colaterais citados acima seja chatos e me prejudiquem muitas vezes no meu dia-a-dia, eu nunca me senti tão livre como me sinto hoje. Para muitos que estiverem lendo esse texto vai parecer uma bobagem enorme tudo o que vou dizer, mas a sensação de entrar no meu carro e dirigir sozinha para onde eu quiser é libertadora. Há quatro meses eu não fazia isso... Tem dias que quero só tirar o carro da garagem e passear, sentir o vento bater no meu rosto... Nossa... liberdade pura!
Quando meu celular acabava a bateria eu logo tinha outra bateria carregada para trocar no aparelho, para que eu não ficasse sem comunicação. Pois bem... hoje já me vejo sem bateria e sem stress – a bateria extra geralmente fica em casa... não preciso mais dela.
Essa semana meu marido viajou a trabalho sem mim. Parece inexplicável, mas o medo não se explica, e eu tinha pânico de ficar em casa sozinha. No entanto, essa semana que se passou sinto que dei passos de elefante rumo à minha liberdade. Meu marido viajou e eu fiquei bem. Curti os dias sem ele com o apoio da minha mãe e devo dizer que pela primeira vez em anos me sinto efetivamente uma super vencedora. Esse era o marco que eu não esperava cumprir com o tratamento, e ele chegou de forma inesperada e eu consegui vencê-lo com muito menos stress do que o esperado: quem disse que não tenho boa flexibilidade nas pernas para dar passos maiores do que ela?!
Esses dias tenho revivido medos antigos também. Eu não me lembrava do tanto que eu gostava de filmes de terror. De uns tempos para cá fui percebendo que eles me perturbavam sobremaneira e fui parando de assisti-los. No entanto nas últimas duas semanas tenho feito tratamentos de choque comigo mesma: seções com mais de um filme do gênero por dia no final de semana. Tem funcionado! Até agora de todos os filmes que assisti, nenhum deles me desencadeou qualquer tipo de reação de medo. Será que estou anestesiada? Será que estou cética demais em relação à bizarrice dos enredos? Não sei... só sei que o Iluminado, o Bebê de Rosemary, o Exorcista, Poltergaist, IT-uma obra prima do medo, e tantos outros, não estão surtindo efeitos cheios de adrenalina em mim...
Sei lá o que isso significa. Mas vejo que dia após dia vou chegando a uma situação de equilíbrio que eu tanto precisava para seguir meus dias vivendo em paz. Ainda tenho arestas para aparar. Não sei o que vai acontecer quando eu abandonar a medicação, mas aprendi que em matéria de distúrbios de ansiedade, às vezes precisamos de mais do que um dia após o outro para nos sentirmos fortes. Agora preciso correr atrás do prejuízo nos estudos, que foi a área mais sacrificada nesse meu processo de cura nesse momento.
Vamos à luta né? Até a próxima!

Comentários

Mary Joe disse…
Nicole, querida. Achei seu texto brilhante. Mas gostei muito mais do que de tudo que já li até agora.

Simplesmente porque estou orgulhosa. Aliás, orgulhosa é pouco. Estou super hiper mega orgulhosa de vc e de suas conquistas.

Querida, um passo de cada vez já é a garantia que saímos da estaca zero. E vc tem dado muito mais do que isso.
Parabéns
Beijo carinhoso
Mary Joe
Anônimo disse…
Acho que foi o trato mais positivo que eu já fiz com alguém. Aprendi também que guardar sentimentos não nos leva a lugar nenhum, temos mesmo que exteriorizar nossos pensamentos porque é assim que passamos nosso recado, é onde há comunicação!
Só espero que eu consiga uma reflexão tão marcante quanto a sua... rsrsrsr
Bjs, Ana.
Anônimo disse…
Acho que foi o trato mais positivo que já fiz com alguém.. rsrsr... Aprendi também qe devemos exteriorizar nossos pensamentos, já que assim passamos nosso recado,conseguindo comunicação. Só espero conseguir uma refl~xão maravilhosa quanto a sua. rsrsrs..
Bjs, Ana.

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