Sobre a falta de educação


Por mais que o tempo passe e a gente acabe se mostrando acostumado com os acontecimentos diários que ocorrem no mundo, eu não consigo evitar uma continua perplexidade diante dos fatos.
Sou muito sensível ante os problemas da educação que presenciamos no Brasil. Fui professora de idiomas durante muitos anos, e já vivi o cotidiano de professores do ensino infantil, fundamental e médio. Não é fácil. Ser professor é uma tarefa complicada, que requer preparo, sensibilidade e muita, muita sabedoria.
Hoje ouvi no rádio uma notícia que me entristeceu muito. Uma garota de 16 anos de idade atacou uma professora com uma cadeira e ainda deu-lhe um soco no olho. Isso aconteceu em uma escola estadual aqui de Belo Horizonte.
Segundo a professora a aluna não era daquela turma e ela estava pedindo que ela se retirasse da sala de aula porque a menina estava incomodando a classe. A aluna diz que atacou a professora porque ela havia insultado a sua sexualidade.
A professora, após o ataque, foi levada para o hospital João XXIII, onde recebeu cuidados médicos e psicológicos. Agora ela ficará de licença até o inicio do próximo semestre letivo. A aluna, teoricamente havia sido suspensa da escola. No entanto, esta manhã, quando a diretora tentava impedir a sua entrada na escola, ela apresentou uma liminar judicial à diretora que lhe garantia o direito de assistir as aulas. A instituição ficou de pés e mão atados: não tem como ir contra uma decisão da justiça.
A menina está sendo tratada dentro da escola como uma espécie de celebridade. Segundo entrevista dada pela diretora da escola para a rádio que eu ouvia, ela inclusive estava dando autógrafos para os colegas.
Agora analisemos a situação: existem duas questões que podem ser colocadas aqui. A primeira é o desrespeito contínuo, já banalizado, dos alunos em relação aos professores. A outra questão é o desrespeito que muitos professores têm em relação aos alunos.
Pois bem. Com relação à primeira questão, os pais precisam ser responsáveis pela educação de seus filhos. Parece óbvio dizer isso, mas não é. Não sou mãe, mas já me deparei com muito aluno mal educado e sei que determinados comportamentos são encorajados pelos pais. Quantas vezes em meus tempos de professora não ouvi a odiosa frase “eu estou pagando o teu salário”? O aluno não nasce falando, isso ele aprende dentro de casa vivenciando e internalizando comportamentos errados dos pais. Colocando-me no lugar dos pais dessa garota, mesmo que a professora tivesse insultado a adolescente, eu jamais aceitaria um comportamento violento de um filho contra quem quer que seja. Existem outros meios, bem mais eficientes, para se fazer valer um direito.
Acredito que os pais precisam ensinar aos filhos as noções de respeito e obediência desde cedo. É natural que os adolescentes sejam contestadores, mas quando esses dois conceitos estão arraigados no indivíduo, essa fase passa com menos efeitos colaterais. Os alunos, hoje, não respeitam e não obedecem aos professores. Esse é um problema das escolas publicas e particulares.
Com relação à questão do desrespeito dos professores em relação aos alunos penso o seguinte: os adultos sempre estão em uma condição melhor de discernir o certo do errado, portanto é inadmissível qualquer atitude que venha a prejudicar o aluno tais como causar-lhe sofrimento psicológico, fazê-lo passar vergonha em público, entre outros. Repito: o professor é o adulto da história e não faz o menor sentido ele se igualar à condição do aluno e bater de frente com ele.
Creio que ser professor seja um dom. Não são todos que possuem esse talento. Conheço várias pessoas que achavam que esse era o seu caminho, mas acabaram percebendo que lhes faltavam talentos para exercer tão nobre profissão. Numa boa... Se não nasceu pra isso, não tente seguir essa carreira. Quando não se ensina por amor é ruim para o professor, e pior ainda para o aluno.
Termino esse texto com um tom de tristeza e indignação. Por mais correta que eu estivesse, meus pais nunca buscariam um juiz para soltar uma liminar que confrontaria a autoridade da escola diante dos alunos. Creio que nessa história, só para variar, os pais estão se comportando como crianças, tomando as dores de uma filha que não é tão santa assim. Porque se o fosse, ela não teria atacado a professora com uma cadeira ao supostamente ser questionada com relação á sua sexualidade. Já que essa menina tem tanta gana jurídica, ela teria percebido que neste caso a professora ficaria em situação muito mais delicada se ela não fizesse nada naquele momento, e chamasse a policia, com algumas testemunhas do fato, para prestar uma queixa contra a professora... Bom, não foi isso o que aconteceu...
A menina está agora sob custódia do conselho tutelar... Vamos ver onde esta história vai dar. Mais um triste exemplo de falta de educação nesse nosso Brasil. E “vamo” que “vamo” né!

Comentários

Mary Joe disse…
Querida, discutamos o óbvio: pais naõ acham que educar os filhos seja sua obrigação.
Numa reunião de mães que fui há duas semanas, ouvi a mãe dizer para a escola que tinha mais o que fazer!
Então, linda, o que a escola pode fazer? Se os pais naõ querem exercer seu papel de pais, como alguém pode esperar filhos educados?

Também fico triste com isso. E vejo com temor que tipo de adultos darão.

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