Projetando e realizando

Sempre no reveillon, na hora da virada, tenho o costume de me fazer uma promessa para o ano que se inicia. Sou modesta nas promessas, porque sei que conquistar as coisas não é fácil, e a gente age melhor quando se coloca um objetivo específico, ao invés de vários. Esse ano a minha promessa é que eu seria mais empreendedora este ano, quem sabe até mesmo dona de meu próprio negócio.
Essa não é uma promessa de fim de ano muito simples, e quanto mais estudo sobre a área, mais percebo que a coisa é séria e que para atingirmos qualquer coisa, é necessário muito estudo, planejamento e uma generosa dose de pró-atividade, pois tudo que cai no papel precisa uma hora sair dele também.
Estou fazendo um curso na área de empreendedorismo pela Fundação Dom Cabral, e lendo o material, encontrei um dado marcante. Foi feita uma pesquisa entre investidores em negócios de risco nos Estados Unidos para saber o que é primordial para eles na hora de investir: uma idéia extraordinária ou um administrador extraordinário? A resposta é que o melhor dos mundos seria aquele em que a idéia e o administrador sejam extraordinários. No entanto, como a perfeição nem sempre é possível, quando eles precisam escolher, não há duvidas: eles preferem administradores excepcionais e idéias de segunda ordem, pois apesar de serem investidores em negócios de risco, eles não podem correr o risco de um mau administrador colocar uma excelente idéia a perder. É melhor ter uma idéia menos brilhante e um administrador que conseguirá efetivamente colocá-la em prática.
Isso é só um indício de que o papel de um bom administrador é de suma importância para a sobrevivência de um negócio, quer ele seja muito inovador, quer ele seja mais conservador. Hoje, as empresas que não conseguem obter os resultados desejados, precisam parar para repensar o seu modelo de negócio e suas estratégias, talvez o problema seja a obsolescência.
Dentro das empresas existem setores que estão diretamente envolvidos com a produção de retorno financeiro. E existem outros setores que não estão diretamente envolvidos nisso, mas que são de extrema importância para a estratégia geral de atuação da empresa. O bom desempenho dessas áreas ajuda os setores que geram retorno a funcionarem melhor e de forma mais produtiva. No entanto, é importante que todos os setores, produtivos ou não, das empresas estejam falando a mesma língua e seguindo para o mesmo objetivo comum: transformar o negócio da organização em um grande sucesso.
Sou jornalista, assessora de comunicação e estou concluindo uma pós-graduação em comunicação estratégica para as organizações. Sempre que penso em estratégias de comunicação para as empresas, preciso me basear nas estratégias próprias que essas organizações escolheram para si. Quando essas estratégias não são bem definidas o projeto de comunicação fatalmente está fadado ao fracasso. É preciso consistência, a comunicação existe para ajudar a empresa a falar a mesma língua em seus diversos departamentos e em suas mais variadas relações com os públicos com os quais ela se relaciona. Se a empresa não tem definida qual é essa língua, infelizmente o departamento de comunicação não sabe fazer mágicas.
É importante a definição da razão de ser de uma empresa. O que eu faço? Como faço? Por que escolho fazer isso e não aquilo? O que eu não devo fazer? O que eu desejo ser dentro de 10 anos? Muitas vezes elas se preocupam somente em gerar receita, buscando sobreviver a qualquer custo e às vezes obtendo lucro. Essas organizações tendem a investir somente nos departamentos produtivos, e quando questionadas sobre sua atuação, não sabem dizer ao certo qual é a sua estratégia e acabam muitas vezes considerando isso uma preocupação segundo plano, logo investem menos em profissionais estrategistas que fazem o desenho correto para que as coisas possam acontecer. A geração de receita é importante, sem ela as empresas não conseguem se sustentar, pois uma empresa que não lucra não sobrevive. No entanto, ter uma estratégia de ação é de suma importância para a sustentação das empresas em longo prazo, afinal de contas, uma busca incansável e inconseqüente pela geração de receita simplesmente por sobrevivência pode levar uma organização a uma morte lenta e dolorosa. Nenhum empresário desejaria isso.
Finalizo esse texto lembrando as palavras de uma professora muito querida. Certa vez ela disse em uma aula de teorias da comunicação organizacional que a teoria sem a prática não é válida. Mas que também a prática sem a teoria tende ao caos devido à falta de foco. Falávamos nesse caso sobre a comunicação organizacional, contextualizando-a assim como práxis: reflexão aplicada, e prática refletida. No entanto esse é um conceito importante para qualquer outra área empresarial. Fica como mensagem final que é preciso ter um plano de ação bem definido para que os talentos sejam mais bem aproveitados na geração de resultados, afinal de contas, as empresas querem e precisam muito de lucrar, não é verdade? Mas lucrar de forma consistente...
E assim vou eu estudando e elucubrando sobre essas grandes questões empresariais... Quem sabe até o fim deste ano o meu projeto não saia do papel de forma sólida e consistente? Quero muito ter novos desejos a serem realizados nos próximos reveillons, e até o final deste ano, espero que o caminho que estou percorrendo me leve a ser uma pessoa mais empreendedora.

Comentários

videomeiquer disse…
Bom, minha área de atuação é outra, estou mais na geração de conteúdo e criação, produção também. Estou abrindo uma empresa e chamei para ser meu sócio um cara, que conheço e confio, que nunca trabalhou com comunicação, mas saca de grana. Acho que vai ser uma parceria desucesso. Seu texto me fez pensar sobre a atual situação do local de trabalho e os equívocos profissionais que não devo ter quando abrir minha empresa. Acho que essa é a hora. Já tenho quinze anos de experiência e estou no momento mais criativo de minha vida. Quem sabe possamos ser parceiros profissionais no futura, quando vc abrir seu empreendimento??
Costumo fazer essas promessas na semana anterior ao meu aniversário... que é onde "meu ano" começa de verdade... Reveillon, ficou uma coisa muito clichê, muito batida, muito banalizada... retome esta promessa no seu aniversário e sinta a mágica da realização acontecendo... (comigo dá certo! tente também!)

Um beijo pra vc,
Continue o excelente trabalho...

Henrique(da Fundação)
http://nonacuca.zip.net
Mary Joe disse…
Querida, acho que toda caminhada começa lógico com o primeiro passo. E me pareceu pela sobriedade do texto que vc já está a caminho de.
Parabéns.
Porque de gente que faz promessas de ano novo, o mundo está cheio.
Mas poucas se dignam a por (e tirar) do papel.
Beijo carinhoso
Maria José

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