Quem não viu, veja... uma delícia de filme!


A Rosa Púrpura do Cairo, (1985) de Woody Allen é uma singela homenagem ao cinema. Esse é um dos clássicos dos anos 1980, e embora não tenha vencido o Oscar de Melhor Roteiro Original, ganhou merecidamente o Globo de Ouro de Melhor Roteiro e os BAFTA de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Não é para menos, Woody Allen conduziu esse filme de forma deliciosamente envolvente fazendo-nos apaixonar pelos seus personagens.
A história se passa no período pós-depressão de 1929. Cecília (Mia Farrow), uma doce garçonete, é casada com um brutamonte desempregado (Danny Aiello) que passa os dias bebendo, jogando, traindo a esposa e violentando-a. Sendo a única fonte de renda da família neste momento delicado da economia, ela sentia na pele as agruras da vida e não reclamava de nada. Simplesmente, após o expediente, Cecília se refugiava no cinema perto de sua casa e se transportava para o mundo dos finais felizes.
Um belo dia, já tendo assistido cinco vezes ao filme “A Rosa Púrpura do Cairo”, o mundo real transforma-se em magia: o personagem Tom Baxter (Jeff Daniels) a reconhece no cinema e declara-se apaixonado por ela e, para a perplexidade de todos os outros personagens e espectadores, ele abandona o filme. Desse momento em diante Cecília vive uma aventura jamais imaginada em sua vida: o mundo do cinema se transporta para a sua vida real, e a sua vida real se transporta para o mundo do cinema. Ela tem a oportunidade de viver o grande amor que sempre sonhou e que nunca imaginou ser possível, dadas as suas condições de mulher casada (embora o marido fosse violento de certa forma ela ainda se sentia fiel a ele) e também pela sua situação financeira.
No decorrer da história o personagem fugitivo e Gil Sheperd (Jeff Daniels), o ator que o interpreta, se mostram apaixonados por ela. Um de uma paixão genuína e verdadeira, e o outro de uma paixão desesperada, com medo de que sua carreira fosse afetada pelo escândalo de rebeldia de seu personagem. Cecília não conseguia discernir essas duas paixões tão diferentes, para ela, tratava-se dos mesmos sentimentos e da mesma pessoa: uma real e a outra imaginária.
Quando ela se vê diante da escolha entre o real e o imaginário, ela opta pelo real pensando que aquilo que ela havia vivido no mundo do cinema seria possível para ela no mundo real. Ao perceber que ela poderia ser feliz como nos filmes, ela conclui que o mundo não precisa ser sempre amargo e injusto. Munida de coragem, com a auto-estima em alta, ela resolve fugir da vida de sofrimento e ir viver no mundo dos sonhos com o personagem real para sempre.
É neste momento que ela percebe que tudo aquilo não passava de um sonho. Ela chega ao cinema para ser levada para Hollywood pelo ator que interpretava Tom Baxter e ao chegar lá descobre que ele já havia ido embora. Sem alternativa para aplacar a desilusão, ela entra na sala de cinema com sua mala e viaja pelo mundo dos sonhos novamente ao ver Ginger e Fred dançando e cantando. A vida real é cheia de sofrimento, mas enquanto o cinema continuar funcionando, para ela, haverá sempre a esperança de um final feliz.

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