"Eita" mundinho besta esse nosso!

Em menos de uma semana minha irmã quase foi assaltada descendo do ônibus; uma mulher que voltava da ginástica foi agredida numa tentativa de assalto na rua onde moro: em plena luz do dia; e o carro da minha mãe foi roubado, na hora do almoço, por um ladrão que ainda por cima era educado.

Eu não sei não... Comecei a fazer terapia porque eu demonstrava alguns sintomas de pânico. Então fui prosseguindo com o tratamento e quando achei que as coisas realmente estavam engrenadas, fui assaltada à mão armada, às nove horas da manhã, na região da lagoa da Pampulha, junto do meu marido. O engraçadinho levou tudo nosso, menos a chave do carro. Além da humilhação por termos passado por essa situação, ainda tivemos a despesa de mandarmos fazer novamente as chaves da casa (isso em pleno domingo!), os nossos documentos (incluindo o do carro); tivemos que em tempo recorde bloquear os nossos cartões de crédito e os nossos talões de cheques... enfim... acho que eu e meu marido tivemos até mais prejuízos do que minha mãe, já que o carro dela estava no seguro e o ladrão educado não quis levar as bolsas: ele só queria o carro.

Desde o dia que eu e meu marido fomos assaltados que eu tenho tido alguns problemas para sair às ruas. Antigamente se pensava: ahh fica tranqüila, ali está muito movimentado para acontecer alguma coisa. Hoje em dia isso não vale de nada, porque tem quadrilha de assaltante que fica em lugares movimentados espreitando a presa sem ser percebido, e que age ali mesmo, no meio de todo mundo como se isso fosse algo normal. Antigamente se pensava: ahh não fica preocupada não porque agora está cedo, ladrão não gosta de agir à luz do dia, os horários da noite são os mais perigosos. Se isso é verdade, então estou vivendo as exceções porque eu fui assaltada às nove da manhã, próxima à lagoa da Pampulha cheia de gente (estava acontecendo uma maratona) e policiada. A moça que voltava da ginástica aqui na rua de casa foi jogada no chão numa tentativa de assalto às cinco da tarde do horário de verão, na frente de um monte de pedreiro que estava saindo da obra faraônica que estão fazendo aqui em frente. O carro da minha mãe foi roubado à uma da tarde, quando ela estava levando a minha priminha pra aula, numa rua onde passam crianças acompanhadas dos pais a pé ou de carro, indo e voltando da escola.

Quais são os parâmetros então? O problema está comigo ou é o mundo que está virado de cabeça pra baixo? Sinto que estamos tendo a nossa liberdade de ir e vir limitada pela ação de pessoas de má fé. Nos está sendo tolhido o direito à tranqüilidade. Isso é sério, pois compromete a nossa dignidade como seres humanos. Nós precisamos, em nosso convívio social, de termos garantidos alguns direitos que nos são essenciais para a manutenção da vida: eu tenho o direito de não sentir medo de sair de casa e ir trabalhar; eu tenho o direito de não sentir medo de que algo aconteça ao meu marido ou a qualquer outra pessoa de meu convívio diário. A sensação de permissividade é tão grande que esses indivíduos de má fé passaram a agir com ousadia, tanto no horário das ocorrências quanto na forma de abordagem – afinal de contas, onde já se viu ladrão educado!- como se fosse para mostrar para o mundo que eles estão sim fazendo o que eles querem, na hora que eles querem.

O nosso direito de ir e vir não está sendo garantido. Talvez por incompetência das políticas de segurança pública; talvez por incompetência desse sistema capitalista que exacerba as desigualdades sociais – apesar de que, foi-se o tempo em que o cara começava a roubar para levar leite para dentro de casa. O exemplo de ladroagem tem vindo de cima da nossa escala social, e hoje em dia ladrãozinho que rouba pra levar comida pra casa é preso, e ladrão que desvia verba publica que poderia ser investida em educação e saúde é absolvido.

Estou muito desapontada com o rumo que as coisas estão tomando. Está tudo muito longe do que deveria ser. A gente se sente amedrontado para realizar o sonho de comprar o carro bacana, pois o individuo pode achar que eu sou muito bem de vida e pode me roubar. Se eu não ando com o dinheiro do ladrão na bolsa, corro o risco de perder a minha vida. Além de todas essas preocupações, nós trabalhamos como burros de carga para pagarmos as nossas contas, afinal, ai de nós se os impostos não estiverem em dia: sonegação é crime e cheque sem fundos coloca o nosso nome no SPC.

Ôoo mundinho besta esse viu... e a gente ainda consegue encontrar felicidade lá no fundo da alma pra abrir uma cerveja no fim de semana e cantar Gonzaguinha: viver, e não ter a vergonha se ser feliz. Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei, que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita, é bonita, é bonita e é bonita...

[] Nicole.

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